sábado, 9 de junho de 2012

Tempo e Eternidade

Meu Deu, protegei-me do "deixa-correr", do "deixa-fazer", do "deixa-viver", do "deixa-matar"...
E dessa passividade que permanece passiva por medo de agir e sofrer.
É tão difícil deixar tudo correr...
Deixar correr a vida como areia, e acusar as circunstâncias, e maldizer os fatos, e acusar os outros...
É muito mais fácil sentir-se sempre cansado: cansado de tudo, cansado de nada...
A vida não passa de uma sucessão de gestos ínfimos, mas que, divinizados, nos moldam a eternidade.
Materialmente, uma obra de arte - quadro ou estátua - não é mais que o resultado de uma série de pinceladas ou de cinzeladas. O valor imaterial, o único que conta, é o pensamento do artista que informou cada gesto e fez dessa síntese a realização do seu próprio sorriso. Criamos eternidade com qualquer ato nosso. Este é o poder maravilhoso do homem: a cada segundo construímos o nosso reino.
Um ato, uma vez realizado, não pode ser desfeito. Sua repercussão e seus reflexos se prolongam por espaços inacessíveis. Criamos o definitivo e esse prolongamento das menores ações até a eternidade é que faz a nossa grandeza de homens.
Não compreendemos nada de nada. Há tanto mistério no crescimento de um grão de trigo quanto no movimento das estrelas. Nós bem sabemos que somos os únicos capazes de amar, e é por isso que o menor dos homens é maior do que todos os mundos reunidos.

Guy de Larigaudie


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